58.º aniversário da Frente Popular pela Libertação da Palestina~ 7 min

Por Guilhotina.info

A Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) foi fundada no dia 11 de Dezembro de 1967.

Apesar de décadas de repressão, aprisionamento e assassinatos dos seus líderes, a FPLP continua a ocupar um lugar importante na resistência palestiniana à ocupação sionista. Secular e de raiz marxista-leninista, a FPLP é parte integral da Inundação de Al-Aqsa desde o primeiro momento, tendo o seu braço armado, as Brigadas Abu Ali Mustafa, participado na ofensiva lançada pela resistência palestiniana a 7 de Outubro de 2023.

Em comunicado, a Frente assinalou a data reafirmando o seu compromisso com a resistência – por todos os meios – até que se cumpram todas as aspirações do povo palestiniano.

A Frente foi fundada em resposta à Nakba e à Naksa, que constituíram um choque para a nação. O seu lançamento foi uma afirmação da vontade do povo, uma rejeição consciente da derrota e uma escolha de a enfrentar com um projecto de resistência consciente e abrangente, baseado nos princípios da luta e da libertação.

Durante 58 anos, a Frente permaneceu um partido militante e uma estrutura intelectual e militante radical, ligando a libertação nacional à justiça social (…). A Frente Popular permaneceu presente nas arenas da resistência armada [e] da acção popular, sindical e estudantil, (…) aderindo aos princípios nacionais nas circunstâncias mais difíceis.

Este aniversário chega hoje num contexto excepcionalmente perigoso, uma vez que o nosso povo palestiniano está sujeito a uma guerra aberta de extermínio, a mais brutal da história moderna, particularmente na Faixa de Gaza, e a uma agressão sem precedentes de colonização e judaização na Cisjordânia e em Jerusalém, no âmbito de um projecto que visa liquidar a causa palestiniana, desenraizar o nosso povo da sua terra e quebrar a sua vontade nacional.

No entanto, o nosso povo, como o mundo o conheceu ao longo da sua longa história de luta, enfrenta estes crimes com uma determinação inabalável, uma firmeza lendária e fé absoluta no seu direito à liberdade, à vida e ao retorno.

Comunicado da FPLP, 11/12/2025

A FPLP reitera que resistir à ocupação é um «direito inalienável» e uma «opção nacional indispensável», e que qualquer tentativa de desarmamento vai ser respondida com «confrontação e rejeição categórica».

A continuação dos confrontos políticos, populares e no campo de batalha é a forma de impedir os projectos de liquidação e tutela [estrangeira], preservar a unidade da terra, do povo e da causa, e estabelecer o direito ao retorno dos refugiados como um pilar inalienável.

Comunicado da FPLP, 11/12/2025

A FPLP rejeita a presença de forças internacionais, previstas pela resolução 2803 do conselho de segurança da ONU, a não ser na linha de contacto.

Salientamos que qualquer presença internacional, a existir, deve limitar-se às linhas de contacto, sem interferência nos assuntos internos e com o objectivo de proteger o nosso povo, enquanto a responsabilidade pela segurança dentro e ao redor das cidades continua a ser exclusivamente palestiniana. Afirmamos que as armas da resistência são uma questão nacional ligada a um acordo sobre a estratégia nacional [palestiniana], e não estão sujeitas a quaisquer condições ou imposições da ocupação.

Comunicado da FPLP, 11/12/2025

Além disso, a FPLP defende um diálogo nacional para reavivar a OLP e a formação de uma «administração nacional na Faixa de Gaza, composta por figuras independentes e competentes do povo de Gaza» e sem interferência estrangeira, e mantém no topo das suas prioridades a libertação dos prisioneiros.

Frisamos que a questão dos prisioneiros está no cerne do conflito com a ocupação, e que a sua liberdade é um dever e um critério para a dignidade nacional. A luta pela libertação dos prisioneiros continuará a ser um compromisso nacional firme e parte integrante da luta pela libertação, até que as correntes sejam quebradas e a liberdade total seja conquistada.

Comunicado da FPLP, 11/12/2025

A FPLP honra ainda a memória dos numerosos mártires caídos na luta pela libertação da Palestina.

Neste aniversário da luta, a Frente Popular recorda com imenso orgulho e honra os inúmeros mártires que caíram ao longo da sua história (…) [e] presta homenagem ao seu sangue, que consagrou o caminho para a liberdade, entre os quais se destacam os mártires da inundação de Al-Aqsa: Ismail Haniyeh, Nidal Abdel Aal, Abu Khalil Wishah, Yahya Sinwar, Daoud Khalaf, Awad Sultan, Walid Daqqa e os milhares de outros mártires que permanecem sempre presentes na memória do povo e na consciência da terra.

A Frente presta uma homenagem orgulhosa aos líderes martirizados na batalha em apoio à Palestina e ao seu povo, entre os quais se destacam os líderes Hassan Nasrallah, Abdul Karim Al-Ghamari e Haj Ramadan, e todos aqueles que fizeram do seu sangue e da sua posição uma ponte que liga a Palestina ao mundo.

[A FPLP] também relembra os camaradas fundadores e líderes da abordagem revolucionária que traçaram a visão da Frente, a sua trajectória, experiência, consciência e sacrifícios: George Habash, Abu Ali Mustafa, Wadi Haddad, Ghassan Kanafani, Abu Maher al-Yamani, Che Guevara de Gaza, Maha Nassar, Abu Ahmad Fouad, Abdul Rahim Mallouh, Rabah Muhanna, Abu Mansour, Badran Jaber, Rabhi Haddad, Taghreed al-Batma, Umm al-Amir al-Aila, Walid Daqqa, Ayman al-Madhoun, Samer al-Karnab, Khaled al-Muhtasib e uma longa lista de camaradas líderes e mártires.

Comunicado da FPLP, 11/12/2025

No nosso canal no telegram, podem encontrar um vídeo do discurso proferido ontem pelo vice-secretário-geral da FPLP, Jamil Mezher, para assinalar o 58.º aniversário da organização, legendado em inglês pela Resistance News Network.

Na nossa colecção de zines, podem encontrar obras de e sobre líderes da FPLP, como Ghassan Kanafani e Leila Khaled, bem como textos sobre outras figuras importantes da resistência em Gaza e no Líbano, como Sinwar e Nasrallah, e da nova geração da resistência na Cisjordânia.

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