O atentado de Bondi Beach: a realidade detrás da propaganda~ 8 min

Por Francisco Ulrike
Uma cerimónia judaica em Bondi Beach, em Sydney, foi hoje atacada por dois homens armados. Dezasseis pessoas morreram e 29 ficaram feridas.
O evento teve lugar no no primeiro dia da Hanukkah na mais popular praia de Sydney e foi organizado pela Chabad, uma organização judaica que apoia as IDF e tem um papel central na colonização sionista do Chipre.
Sydney tem uma comunidade de 40 mil judeus, cerca de metade da população judaica da Austrália. Segundo a Jewish Telegraphic Agency, pelo menos mil pessoas estavam na celebração da Hanukkah.
Na imagem seguinte pode ver-se um “centro” aberto pela Chabad em Beit Hanoun, no norte de Gaza, durante o genocídio em curso.

Um dos atacantes foi morto e o outro está em estado crítico, sob custódia das autoridades australianas.
Desde que o ataque teve lugar, os media israelitas já atribuíram a autoria ao Hamas, ao Hezbollah e ao Irão. Tanto quanto podemos inferir, este “atentado” pode muito bem ser um ataque de falsa bandeira, executado para alimentar a islamofobia e fomentar mais políticas securitárias.
Vamos ao que se sabe até agora sobre o atentado de Bondi Beach.
Ahmed, o Herói de Bondi Beach
Durante o ataque, um homem confrontou um dos atacantes, placando-o e desarmando-o. O homem que arriscou a sua vida para salvar a vida de outros chama-se Ahmed Al Ahmed. Ahmed mudou-se da Síria para a Austrália em 2006, tem 43 anos, é pai de dois filhos e dono de uma loja de fruta. Ahmed foi alvejado pelo menos duas vezes e transportado para o hospital, mas parece não correr risco de vida.
Segundo o seu primo Mustafa, que falou com o canal australiano 7news, Ahmed não tem treino militar, tornando a sua acção ainda mais impressionante.
O acto heróico de Ahmed é uma pedra no sapato de todos os islamofóbicos, que adorariam usar este ataque para espalhar ainda mais o ódio contra os nossos irmãos e irmãs muçulmanos por todo o mundo.
Eli Schlanger e Arsen Ostrovsky
O rabino Eli Schlanger está entre as vítimas mortais do ataque. Figura proeminente da Chabad e apresentado por media australianos como um «rabino amado» pela comunidade, Schlanger foi um fervoroso apologista do genocídio em curso na Faixa de Gaza.
Durante os últimos dois anos, Schlanger visitou a Palestina ocupada para apoiar, encorajar e abençoar os soldados das forças genocidas israelitas.
Num vídeo de 23 de Outubro de 2023, gravado num colonato na Cisjordânia, vê-se Schlanger a falar sobre as doações recolhidas pela Chabad na Austrália e entregues às IDF.
Semanas antes de as forças israelitas lançarem a invasão terrestre da Faixa de Gaza, o rabino participou num banquete numa base israelita perto de Gaza, que foi seguido de uma noite de música, dança e abraços aos soldados genocidas.

Como aponta o site de notícias australiano news.com.au, Schlanger tinha divulgado o evento há três dias no seu facebook, com a mensagem:
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Entre os 29 feridos encontra-se Arsen Ostrovsky, apresentado por vários media israelitas e ocidentais como um “sobrevivente do 7 de Outubro” e “advogado dos direitos humanos”. No entanto, não podia estar mais longe de ser defensor dos direitos humanos.
Arsen é um apologista do genocídio em curso – durante os últimos dois anos, culpou o Hamas pela destruição dos hospitais de Gaza, defendeu a “legalidade” da agressão contra o Irão e acusou Greta Thunberg de ser uma “jihadista”, sugerindo que algo poderia acontecer “à sua flotilha”.
Há menos de 24 horas, Arsen celebrou o assassinato de Ra’ed Sa’ad, vice-chefe do estado maior das Brigadas Al-Qassam, morto quando o veículo em que seguia foi atingido por um drone na Cidade de Gaza, em pleno “cessar-fogo”.


Arsen cresceu em Sydney, mudou-se de Nova Iorque para a Palestina ocupada em 2012, e regressou à Austrália há duas semanas para dirigir o Australia/israel & Jewish Affairs Council. Foi considerado pelo Jerusalem Post como um dos 50 mais importantes líderes judaicos do mundo e é (ou foi) director executivo do israeli-Jewish Congress, «uma ONG com sede em israel, que serve como ponte entre comunidades judaicas na Europa e líderes e oficiais israelitas, apoiando o estado judaico em todo o mundo».
Os atacantes
Um dos atacantes foi identificado: chama-se Naveed Akram, de 24 anos. Residente dos subúrbios de Sydney, é um cidadão australiano de origem paquistanesa e completou os seus estudos religiosos em 2022. Como se pode ver pelas filmagens disponíveis, Akram tem experiência e destreza na utilização de espingardas.

Fontes sionistas não demoraram muito a divulgar o suposto nome do segundo atacante, que alegaram ser de origem libanesa – informações totalmente fabricadas.
Numa conferência de imprensa há pouco, o comissário da polícia do estado australiano de Nova Gales do Sul anunciou que os autores do atentado eram pai e filho, de 50 e 24 anos, refutando as alegações sionistas. Naveed foi ferido e encontra-se hospitalizado; o seu pai – que tinha licença de porte de arma e seis armas de fogo registadas em seu nome, as mesmas que foram usadas no atentado – foi morto no local.
Mike Burgess, director-geral da ASIO, os serviços secretos australianos, revelou que um dos atacantes era conhecido pela organização, mas não especificou qual. «Um destes homens era conhecido por nós, mas não numa perspectiva de ameaça imediata», afirmou Burgess segundo a ABC.
Uma fotografia partilhada pelo Middle East Spectator mostra Naveed a receber um diploma da Iqra em frente a colecções de obras salafistas.

Naveed Akram não era um muçulmano xiita; era sunita salafista, como se pode ver pelo facto de ter estudado livros de estudiosos salafistas, como Ibn Uthaymeen e Ibn Baaz.
Isso torna muito improvável que o ataque tenha sido realizado sob a orientação do Irão, ao contrário do que afirma israel.
Middle East Spectator
Segundo o primeiro-ministro australiano, Naveed Akram foi monitorizado pelos serviços secretos australianos entre 2019 e 2020 devido à sua relação com Isaac El Matari, preso nessa altura sob acusações de liderar uma célula do ISIS na Austrália. No entanto, a ASIO concluiu que não teria sido radicalizado e que, por isso, não constituía uma ameaça imediata.
Falsa bandeira?
Nas redes sociais, vários utilizadores sugerem que este pode ter sido um ataque de falsa bandeira, questionando o facto de Arsen Ostrovsky ter encontrado oportunidade para tirar uma selfie no meio do atentado. Além disso, deu uma entrevista ainda ensanguentado, já depois de ter recebido primeiros socorros, durante os quais lhe foi ligada a cabeça mas não lhe foi limpo o sangue da cara.

As conclusões ficam para cada um e cada uma.
O que é curioso é que estes atentados são sempre usados para fortalecer agendas securitárias e retóricas islamofóbicas úteis para legitimar campanhas contra forças de resistência na Palestina, no Líbano, no Iémen e no Irão – mas são sempre perpetrados por elementos salafistas com ligações a organizações ou regimes que por sua vez têm ligações à CIA, Mossad e outros serviços secretos ocidentais. Consciente ou inconscientemente, servem os seus interesses.
Enquanto os media de todo o mundo passaram o dia todo a fazer um circo deste atentado, pessoas inocentes continuam a ser assassinadas diariamente em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, sem direito a qualquer manchete.

