Oito semanas de greve de fome nas prisões britânicas: apontamentos~ 21 min

Por Francisco Ulrike e Ana Só

Este domingo completaram-se oito semanas da maior greve de fome colectiva nas prisões britânicas desde a histórica greve dos prisioneiros irlandeses em 1981.

Quatro décadas depois de dez militantes do IRA terem cometido o derradeiro sacrifício em nome da libertação da Irlanda do jugo colonial britânico, cerca de três dezenas de accionistas da Palestine Action encontram-se encarcerados nas prisões britânicas por terem levado a cabo acções directas contra fábricas de armamento da empresa israelita Elbit Systems e aviões da Força Aérea britânica utilizados no genocídio em curso na Faixa de Gaza.

Todos estão presos sem terem sido condenados, a maioria há mais de um ano. Os julgamentos estão marcados para meados de 2026 e para 2027.

Durante o encarceramento, os prisioneiros têm sofrido abusos sistemáticos pelos guardas prisionais e restrições na sua correspondência, chamadas telefónicas e visitas, que escalaram após a proscrição da Palestine Action como “organização terrorista” pelo governo britânico em Junho deste ano.

A 2 de Novembro, Qesser Zuhrah e Amu Gib foram as primeiras prisioneiras a entrar em greve de fome. Desde aí, outros e outras prisioneiras foram progressivamente juntando-se ao protesto – tendo chegado a ser 8 prisioneiros simultaneamente em greve. Neste momento, após Qesser, Amu e Jon terem anunciado uma pausa, há quatro prisioneiros em greve. Heba Muraisi encontra-se no seu 57º dia de greve de fome.

O foco que, ao longo deste último mês e meio, colocámos na recolha de fundos para enviar para Gaza não nos permitiu fazer o acompanhamento detalhado e regular que este histórico processo de luta merece. No entanto, ao longo destas oito semanas, fomos publicando no nosso canal de telegram algumas notas, apontamentos e traduções de comunicados e intervenções – que compilamos aqui em linha cronológica.

Hoje, às 16h, estão marcados protestos em frente à embaixada do Reino Unido em Lisboa e ao consulado britânico em Portimão.

2 de Novembro 

No 108.º aniversário da Declaração de Balfour, Qesser Zuhrah (dos Filton 24) e Amu Gib (dos Brize Norton 5) dão início à greve de fome.

Nós, que estamos encarceradas pelo estado britânico por resistirmos ao genocídio do nosso amado povo palestiniano, declaramos o início da nossa Greve de Fome, reafirmando o compromisso com a nossa luta de dentro das paredes desta Prisão. (…)

Até que as nossas exigências sejam atendidas, Resistiremos. Perguntamos agora ao nosso governo: estão dispostos a deixar-nos morrer antes de pararem de armar o genocídio?

Qesser Zuhrah, 2 de Novembro de 2025

Qesser Zuhrah (à esquerda) e Amu Gib (à direita)

Esta greve de fome colectiva tem no seu centro cinco exigências:

  1. Fim de toda a censura nas comunicações das prisioneirras
  2. Liberdade imediata sob fiança enquanto aguardam julgamento
  3. Direito a um julgamento justo
  4. Anular a proscrição da Palestine Action
  5. Encerrar a Elbit Systems

Descobre mais sobre as razões que levaram a esta greve, as exigências das prisioneiras e o trabalho da Palestine Action no artigo que publicámos nesse dia 2 de Novembro.

Neste dia, também tiveram lugar acções directas contra a Allianz numa dezena de países.

3 de Novembro

Heba Muraisi torna-se a terceira prisioneira da Palestine Action a juntar-se à greve de fome nas prisões britânicas.

Heba está acusada de causar danos em instalações da Elbit Systems e enfrenta até dois anos de prisão preventiva até ser apresentada a tribunal.

Heba tem raízes iemenitas e família em Gaza, e por isso foi alvo de abusos na prisão e colocada em solitária várias vezes.

6 de Novembro

Jon Cink, um dos Brize Norton 5, é o quarto prisioneiro da Palestine Action a juntar-se à greve de fome colectiva em prisões por todo o Reino Unido. Está em prisão preventiva desde 03 de Julho por ter participado no ataque a aviões militares na base aérea Brize Norton.

Tal como os seus camaradas, exige o fim da censura, liberdade imediata sob fiança, a anulação das acusações de terrorismo e o fim das relações governamentais com a Elbit Systems, o maior fabricante de armas israelita.

9 de Novembro

Em 11 de Agosto deste ano, T. Hoxha, de 29 anos, entrou em greve de fome contra as violações dos seus direitos fundamentais, um protesto que durou 28 dias e do qual saiu vitoriosa. Dois meses depois, a 09 de Novembro, Hoxha deu início à sua segunda greve de fome, agora como parte do grupo. Hoxha, dos Filton 24, está em prisão preventiva na prisão de Peterborough desde 19 de Novembro de 2024, e o seu julgamento está marcado para Abril de 2026.

10 de Novembro

Kamran Ahmed, de 27 anos, foi o sexto prisioneiro da Palestine Action a juntar-se à greve de fome. Kamran, dos Filton 24, está em Pentonville, em prisão preventiva desde 19 de Novembro de 2024 (tal como Qesser, Heba e T. Hoxha), tendo julgamento marcado para Junho de 2026.

13 de Novembro

O prisioneiro anarquista italiano Luca Dolce, ou “Stecco”, foi o primeiro a internacionalizar esta greve, a que se juntou a 8 de Novembro em solidariedade com os seus companheiros no Reino Unido. Luca está a cumprir 3 anos e meio de prisão por ter dado guarida a um companheiro procurado pelo regime italiano por um ataque a uma sede do partido fascista Lega.

Sean Middlebrough, dos Filton 24, aproveitou uma saída precária para se evadir do cativeiro. «Não estou em fuga», afirma Sean. «Recuso-me a ser prisioneiro de guerra de israel numa prisão britânica.»

15 & 16 de Novembro

Este fim-de-semana realizaram-se protestos em 7 prisões britânicas em solidariedade com os e as prisioneiras da Palestine Action em greve de fome.

Vídeos dos protestos aqui

22 de Novembro

No âmbito de um evento de recolha de fundos para Gaza, o documentário «To Kill a War Machine» foi projectado no Atelier A Fábrica, em Coimbra, com o intuito de chamar à atenção para a Palestine Action e a luta dos seus prisioneiros.

Apesar de algumas (poucas) dezenas de pessoas terem passado pela Fábrica ao longo do dia, apenas 2 pessoas exteriores à organização do evento compareceram à projecção. A pouca antecipação com que o evento foi anunciado explicará, em parte, a fraca participação – e essa auto-crítica foi feita na altura entre aquelas que o organizámos. No entanto, é evidente que existe um desinteresse, mesmo no seio dos meios pró-Palestina, pela luta destes prisioneiros – ao contrário das tripulações das Flotilhas que, menos de 24 horas após a sua detenção, foram apoiadas por dezenas de milhares de pessoas nas ruas de toda a Europa.

26 de Novembro

Hoje, no Reino Unido, teve início a apreciação do recurso apresentado em Julho por Huda Ammori, co-fundadora da Palestine Action, que contesta a proscrição do grupo como “organização terrorista”.

Para deixar claro que a independência judicial e a separação de poderes são coisas que só existem na teoria, o regime britânico retirou um juiz do caso hoje mesmo, sem oferecer quaisquer explicações, e substituiu-o por outros três juízes com historial de subserviência às elites britânicas.

• Um considerou legal a exportação para israel de armas para F-35 

• Um apoiou o Plano Ruanda e negou alívio a Assange

• Um tem laços familiares com [as famílias] JP Morgan + Goldman Sachs, grandes investidores na Elbit Systems — o maior fornecedor de armas de israel

Fonte: Greens 4 Palestine

2 de Dezembro

Na sede da BBC, teve lugar um protesto contra o silêncio dos media britânicos sobre a greve de fome em curso nas prisões britânicas.

Desde a prisão, Qesser Zuhrah deixou uma mensagem que ecoou no exterior da emissora britânica:

Porque nos é mais confortável ouvir sionistas reformistas ou intelectuais ocidentais no que toca à Palestina, à sua existência e resistência, do que o próprio povo palestiniano?

Porque nos é a resistência palestiniana mais agradável quando enaltecida por eruditos europeus?

Porquê procurar uma justificação para a luta palestiniana no artigo xis da lei internacional e não nos gritos, lágrimas e sangue derramado do povo palestiniano?

Porque continuamos a procurar mais além? Vale tanto como desviar o olhar. Porque complicamos o que é simples?

A BBC é irremediável e será condenada para sempre pelos livres.

Nós, a frente global pela libertação da Palestina, não podemos engrossar as fileiras [da BBC] ou segui-los, ainda que inconscientemente, pois o preço da nossa incompreensão é a Palestina.

Isto nada tem que ver com políticas identitárias. É a luta histórica contra o apagamento da voz, narrativa e agência palestinianas.

A BBC é algo que devemos condenar e também um erro vergonhoso com o qual aprendermos. Aprendermos o que não fazer. E o que não podemos fazer é excluir as vozes palestinianas como eles tão confortavelmente fazem.

É isto que significará honrar os nossos mártires e, francamente, evitar mais.

Fonte: Cage International

Qesser Zuhrah está no 33º dia de greve de fome. Faz parte dos Filton 24 e, com 20 anos, é a mais jovem presa política do Reino Unido.

Qesser é uma das 6 prisioneiras da Pal Action actualmente em greve de fome. Kamran e T Hoxha foram hospitalizados a semana passada.

O silêncio dos media, britânicos e internacionais, é ensurdecedor. O dos movimentos também.

De que vale ter tantas organizações que se dizem pró-Palestina, se praticamente todas ignoram e invisibilizam sistematicamente quem resiste, na Palestina e no centro do Império?

4 de Dezembro

Hoje, 04 de Dezembro, subiu para oito o número de prisioneiros em greve de fome nas prisões britânicas.

Muhammad Umer Khalid, 22 anos, que iniciou hoje a greve de fome, foi o último elemento dos Brize Norton 5 a ser detido, estando há quatro meses em preventiva na prisão Wormwood Scrubs, onde tem enfrentado agressões físicas, repressão e discriminação religiosa desde o início.

Mais info sobre os abusos sofridos por Umer na prisão aqui.

4 de Dezembro

Um outdoor do McDonald’s na A8, perto das Caldas da Rainha, foi estes dias alvo de uma intervenção em solidariedade com a Palestina e os prisioneiros em greve de fome no Reino Unido.

11 de Dezembro

Manifestantes invadem a sede da BBC em Londres e ocupam o lobby em protesto contra a cobertura tendenciosa da greve de fome, dos Filton 24 e do genocídio em curso.

Os media britânicos guardam um quase total silêncio sobre esta greve – nos poucos casos em que dela falam, fazem-no de forma abjecta.

12 de Dezembro

A greve de fome nas prisões britânicas vai já no seu 41.º dia. Cinco prisioneiros da Palestine Action já foram hospitalizados, com vários a correr risco de vida iminente.

T Hoxha, na sua quinta semana de greve de fome, deu ontem uma entrevista exclusiva ao Middle East Eye:

As nossas vidas estão em risco. Já passou mais de um mês. Acho que as pessoas não compreendem o que significa não comer durante um mês. (…) Não temos só de lidar com a desnutrição que sentimos, a falta de ar, a hospitalização, a fadiga… estes são apenas os sintomas mais leves.

Também temos de compreender que, por volta do 35.º dia, podemos sofrer falência de órgãos, danos cerebrais, ter de pensar em cuidados intensivos e, essencialmente, ter de escrever um testamento, mesmo que a intenção nunca seja a morte ou o suicídio. Isto é sobre a vida e sobre querer viver, sobre querer autonomia, apenas de nos agarrarmos a essa autonomia e de expôrmos estas instituições corruptas.

Nenhum destas pessoas foi condenada por qualquer crime. Muitas aguardam julgamento na prisão há mais de um ano, e alguns julgamentos estão agendados apenas para 2027. O regime em que se encontram assemelha-se à detenção administrativa usada pelo regime sionista para encarcerar milhares de palestinianos sem acusação. Este conceito de “detenção administrativa” foi introduzido na Palestina pelos britânicos em 1945, antes da criação do estado de israel – um tema que explorámos no artigo sobre os milhares de palestinianos nas prisões israelitas.

Estes e outros temas, como a cobertura mediática da greve, são abordados no programa da MEE em que, além de T Hoxha, participam Audrey Corno e Francesca Nadin, ex-prisioneiras e representantes dos Prisoners for Palestine.

Neste dia, em Kent, uma fábrica da Elbit Systems foi bloqueada por manifestantes solidários com as prisioneiras em greve de fome.

17 de Dezembro

Qesser Zuhrah, a mais jovem prisioneira política do Reino Unido, colapsou esta quarta-feira após 46 dias de greve de fome.

Durante mais de 12 horas, as autoridades prisionais da HMP Bronzefield deixaram Qesser no chão da sua cela, recusando-se a permitir que uma ambulância a levasse para o hospital. Só após um dia inteiro de protestos no exterior da prisão – que juntaram amigos, familiares, médicos e dezenas de apoiantes – é que foi permitida a hospitalização de Qesser.

O governo Labour (supostamente de centro-esquerda) continua a recusar-se reunir com as grevistas ou os seus representantes. O regime britânico parece determinado a deixar morrer as grevistas antes de reconhecer os direitos básicos das três dezenas de prisioneiros políticos encarcerados por terem participado em acções da Palestine Action – ou de terminar a sua cumplicidade com o genocídio em curso na Faixa de Gaza.

Como afirma a Vocal Politics:

Esta greve de fome não está a revelar a crueldade governamental — já sabemos que ela existe. Está a testar até onde o público permitirá que o poder vá antes de romper os apertados limites estreitos da contestação ordeira.

Em 1991, Bobby Sands, líder do IRA, o movimento de resistência que liderou a luta pela libertação da Irlanda do jugo colonial britânico, morreu no seu 66º dia de greve de fome. Ao todo, 10 prisioneiros políticos irlandeses morreram naquela que foi a última grande greve de fome colectiva nas prisões britânicas até à presente greve dos prisioneiros da Palestine Action.

Até este momento, já se tinham realizado inúmeros protestos por todo o Reino Unido – no exterior das prisões, nas ruas, em fábricas de armamento e em centros de poder político e mediático. No entanto, a esmagadora maioria destas acções havia contado com a participação de apenas algumas dezenas de pessoas ou, no melhor dos casos, duas ou três centenas.

A partir deste dia – com a greve a entrar num período muito perigoso, e com a indiferença do regime britânico cada vez mais exposta – os protestos tornaram-se mais frequentes, enérgicos e participados. Para acompanhar de perto os protestos no Reino Unido, sigam os Prisoners for Palestine e o Solidarity Diary.

23 de Dezembro

Poderoso discurso de Shezana Hafiz, da CAGE International, sobre a greve de fome nas prisões britânicas, que decorre há mais de 50 dias – e a nossa responsabilidade colectiva de resistir em solidariedade com os prisioneiros:

A resistência não desaparece na prisão – ela concentra-se. Hoje, essa trajectória vive dentro das prisões britânicas, vive dentro dos corpos de Jon, Amu, Qesser, T, Heba, Kamran, Lewis e Umer.

Eles não estão a definhar, estão a manter-se firmes com o seu último território que o Estado não pode colonizar – os seus corpos e as suas mentes. (…)

A prisão não nega a resistência – ela revela a sua forma mais pura. É por isso que o prisioneiro palestiniano nos ensina que tudo dentro da prisão tem uma história de resistência por trás.

Dentro da prisão, nada é neutro. Cada respiração é negociada, cada acto de recusa é deliberado, cada greve de fome é uma declaração que diz «vocês podem aprisionar o meu corpo, mas não vão aprisionar a minha consciência». (…)

E é aqui que a responsabilidade passou para nós, porque a resistência dentro da prisão nunca se destina a permanecer isolada – ela estende-se para fora e exige um eco.

Eles escalaram [a resistência] com os seus corpos, e nós temos que escalar com as nossas palavras, as nossas vozes e as nossas acções. 

Fonte: CAGE International

Shezana Hafiz num protesto em frente à prisão feminina HMP Bronzefield em Novembro de 2024, numa altura em que os Filton 10 ainda eram apenas dez.

23 de Dezembro – Amu, Qesser e Jon pausam a sua greve de fome

O regime britânico tem recusado encontrar-se e negociar com os representantes dos prisioneiros. O plano do governo parecia ser deixar os prisioneiros morrer nesta época festiva, escudando-se atrás das “férias institucionais” para desculpar a sua inacção.

Excertos do comunicado de Qesser Zuhrah, que promete retomar a greve de fome depois do Ano Novo:

No 13.º mês desde o meu desaparecimento forçado e no 48.º dia da nossa greve de fome, vou fazer uma pausa nesta Batalha. Não porque o meu corpo tenha traído a minha mente, nem porque a minha mente tenha traído esta luta, mas devido à traição do nosso governo, que considera apropriado «fazer uma pausa pelo Natal» enquanto oito dos seus cidadãos passam fome nas suas celas, enquanto Gaza passa fome, e enquanto o Natal é silenciado em Belém, tudo devido ao compromisso persistente e nauseante do Governo Britânico com o mais injusto projecto sionista.

Ao nosso governo: não respirem aliviados, pois certamente voltaremos à Batalha com os Estômagos Vazios no Ano Novo, quando vocês tiverem voltado da vossa pausa ensanguentada para o teatro da vossa «democracia»: as Nossas Exigências, contudo, continuam ineludíveis, e esta pausa é a vossa oportunidade de as satisfazer, (…) de parar de armar e contribuir para este genocídio, caso contrário, forçar-nos-ão a voltar para vos confrontar com o nosso fôlego, o que será muito mais desastroso e perigoso do que da primeira vez. Os nossos corpos estarão mais fracos e a nossa deterioração será muito mais rápida, mas não se enganem quanto à nossa determinação. 

Às pessoas livres deste mundo, e desta Nação, que se ergueram em resistência ao longo da nossa greve de fome, rogamo-vos que também não baixem os braços, pois Gaza continua a passar fome! Lançamos estes desafios ao nosso governo aos ombros da vossa luta nas ruas, e pedimo-vos que levem isto adiante, para cumprir a nossa palavra.

Comunicados de Amu, Qesser e Jon na íntegra aqui.

Qesser, tal como os e as restantes prisioneiras, insta a que permaneçamos mobilizados e em Resistência em apoio aos prisioneiros e ao nosso povo em Gaza:

Nós, vossos prisioneiros, esperamos que a nossa greve de fome tenha transmitido aos vossos corações a urgência desta luta e cimentado neles o princípio da Resistência que nos é exigido – de sacrifício, perseverança e esperança.

Quatro prisioneiros – Heba, T Hoxha, Kamran e Lewis – continuam em greve de fome e lançaram novas exigências:

  • o fim das “ordens de não-associação”, que impede os prisioneiros da Palestine Action de ter contacto uns com os outros;
  • o regresso de Heba à prisão HMP Bronzefield;
  • o acesso às mesmas actividades e cursos que os restantes prisioneiros condenados.

23 de Dezembro: Estudantes por Justiça na Palestina – FCSH lançam comunicado

Apelo à Solidariedade com as presas em greve de fome

A situação é, hoje, de uma urgência extrema e surge no enquadramento da ilegalização da Palestine Action ao abrigo de leis anti-terror que procuram deslegitimar e punir a ação direta da organização contra a mega-empresa israelita de armamento Elbit Systems. (…)

Já passaram mais de 50 dias desde o início da greve de fome, que tem sido alvo de um “media blackout” por parte dos jornais britânicos. (…)

Nós, no movimento pela libertação da Palestina, temos então a obrigação de reconhecer estas reivindicações como justas e legítimas; de nos dirigirmos à embaixada britânica para defender a vida das nossas companheiras; e de obrigar a comunicação social a noticiar a sua greve de fome.

Além disso, devemos fazer ecoar também os seus apelos à expansão do combate contra o sionismo. 

Elas exigem mais ação direta contra os cúmplices do genocídio, e mais atos de sabotagem contra a máquina de guerra. Seja no Reino Unido ou em Portugal, a cumplicidade dos nossos Estados e instituições permanece intacta. (…)

As leis anti-terror aplicadas contra a solidariedade com a Palestina no Reino Unido têm como base a legislação que, nos últimos 30 anos, foi utilizada para criminalizar a resistência palestiniana armada à ocupação colonial, um direito consagrado na Carta da ONU.

Até agora, essa legislação foi, na Europa e nos EUA, diversas vezes aplicada (…) como forma de isolar a resistência anti-colonial das suas comunidades e diásporas.

Hoje atirada contra movimentos explicitamente políticos na Europa, a acusação de “terrorista” é simplesmente uma forma de impor sobre os movimentos os métodos “corretos”, isto é, inofensivos à máquina de guerra imperialista. (…)

A resposta que as presas dão com a greve de fome aponta para a resposta que todos temos de dar à repressão: desobedecer e expandir a nossa solidariedade.

Comunicado completo aqui

27 de Dezembro

Os movimentos Estudantes por Justiça na Palestina – FCSH, Occupy for Gaza PT e Algarve pela Palestina convocam protestos em frente à embaixada do Reino Unido em Lisboa e ao consulado britânico em Portimão para segunda-feira, 29 de Dezembro, às 16h.

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