O Dia de S. Valentim de Weizmann: ocupar a Palestina~ 3 min

Tomada de posse do primeiro presidente israelita, Chaim Weizmann, numa sessão da recém-criada Assembleia Constituinte a 17 de Fevereiro de 1949

Por Vocal Politics. Traduzido por Ana Só.

No Dia dos Namorados, em 1949, a ocupação israelita consolidou a sua entidade colonialista ao realizar a sua primeira sessão da Assembleia Constituinte, mais tarde conhecida como o Knesset israelita, na Palestina ocupada. O Ocidente, na altura, que tinha possibilitado e apoiado o projecto sionista, elogiava a iniciativa e branqueava a narrativa política de uma entidade construída no genocídio e expulsão forçada de cerca de 700 000 palestinianos.

Não havia romance naquela assembleia. Os mesmos líderes da milícia sionista que consolidaram o genocídio da Nakba de 1948 reapareceram de fato e gravata, apresentando-se como “estadistas”, enquanto campos de refugiados em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano, na Síria e na Jordânia se enchiam de pessoas que haviam sido expulsas de suas casas.

Vêem um padrão? 1949, 2023, 2026?

Enquanto metade do mundo brincava às histórias de amor com o capitalismo, a entidade israelita consolidava a sua estrutura colonialista e assinava acordos de armistício aclamados pelos sionistas como “paz”, apesar da ausência de responsabilização e de não haver direito de regresso nem fim da ocupação, apenas o seu aprofundamento. Chaim Weizmann, naquela Assembleia, dirigiu-se a 120 sionistas, enquadrando o encontro como uma “redenção histórica para o povo judeu”. A versão correcta da história e eu gostaríamos de lhes chamar ocupantes genocidas.

No centro do seu discurso estava um apelo à “imigração judaica” para a Palestina: aliyah, uma política que lançou as bases para décadas de ocupação sionista, e uma política que daria a Israel uma hipótese demográfica de sobrevivência. Pagaram às pessoas para virem ocupar terras e explorar recursos às custas da Palestina. Basicamente, os europeus tornaram-se colonos israelitas, chamaram à Palestina a terra que lhes foi dada há 3000 anos, enquanto a sua pele ficava queimada pelo sol e tinham alergias por causa da vegetação.

O apelo de Weizmann a uma mudança demográfica visava expandir a ocupação colonizadora de israel na Palestina. Basicamente, é a limpeza étnica que estamos a testemunhar hoje em Gaza e na Cisjordânia. Embora israel o enquadre em narrativas de “retaliação” e “segurança”, a verdade é que as agressões de israel não são uma resposta à resistência armada palestiniana, mas precisamente a causa que levou ao seu nascimento. O plano sionista sempre foi o extermínio dos palestinianos.

Os ecos de 14 de Fevereiro de 1949 ressoam hoje. O genocídio em Gaza está a ser legitimado através das narrativas de líderes governamentais em todo o mundo como “garantia da segurança de Israel”. E a “paz” está a ser aclamada sem justiça, sem retorno, sem fim da ocupação, e apesar das agressões diárias e incessantes. Os eventos que se desenrolam hoje não são inéditos. Eles têm um precedente histórico que a resistência se recusa a legitimar, enquanto o mundo ocidental trabalha incansavelmente para consolidar.

Neste Dia dos Namorados, é fundamental lembrarmos que a resistência é a forma suprema de amor: sacrifício pela honra e pela pátria. Desde o início, a resistência nunca foi “terrorismo”, mas uma resposta ao colonialismo.

Então, vão celebrar o amor, vão agir por uma Palestina livre.

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