Grécia: zines confiscadas durante prisão de camarada do Gather4Gaza~ 5 min

Por Guilhotina.info
No passado dia 20 de Março, um camarada do colectivo Gather 4 Gaza foi preso em Atenas. A detenção teve lugar poucas horas antes de uma vigília pelas vítimas da escola de Minab, palco do maior massacre do primeiro dia da guerra do Império contra o Irão. A vigília, organizada pelo Gather 4 Gaza, acabou por não se realizar.
O Gather 4 Gaza é um colectivo que recolhe fundos para apoiar uma cozinha comunitária em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza — e é para eles que enviamos parte dos fundos recolhidos com a venda das nossas zines. O que se segue é um comunicado sobre a detenção do Camarada E, publicado esta sexta-feira.
Comunicado do Gather 4 Gaza, do Colectivo de Comunicação Kinografiko e do Colectivo Gráfico Pen and Rifle sobre o sequestro, invasão domiciliária e detenção do membro e organizador anti-imperialista camarada E
Na sexta-feira, 20 de Março, polícias à paisana da Divisão de “Crimes de Ódio” da polícia grega raptaram o camarada E quando este se dirigia a Exarchia para imprimir material para distribuição. Levaram-no para a GADA (Direcção-Geral da Polícia de Ática) e mais tarde ao seu apartamento, acompanhados por um procurador, para o revistar e sob a ameaça de prender a sua colega de casa, uma camarada dos mesmos colectivos.
Entre os bens roubados durante a rusga estão materiais anti-sionistas provenientes dos nossos bazares de angariação de fundos que prestam apoio financeiro às cozinhas sociais em Deir al-Balah, em Gaza, incluindo zines com os seguintes títulos:
- Introdução Básica à Colaboração da Grécia com a Entidade Sionista (em grego e inglês)
- Porque Não Devemos Condenar o KHAMAS – Basil Motaz Idris (traduzido para grego)
- Escalar por Gaza, Trazer a Guerra para Casa (Declaração de Elias Rodriguez, publicada pela UOF)
- Três Lições da Resistência Palestiniana – Ameed Faleh (traduzido para grego)
Em resposta, iremos relançá-los através do @kino.grafiko e aumentar a circulação destes títulos.
O camarada E seria então detido sob a acusação de crimes de ódio contra a «comunidade israelita» e sob falsas acusações de posse de armas. Ficaria detido na GADA durante três noites — tendo-lhe sido confiscados os óculos por «razões de segurança» — até à sua libertação após a audiência preliminar na segunda-feira, 23 de Março, ficando o julgamento marcado para Outubro. Esta operação após um prolongado período de vigilância, dada a celeridade e destreza da sua execução, deve ser entendida como uma tentativa deliberada de perturbar a vigília convocada pelos nossos colectivos em homenagem às alunas martirizadas de Minab.
O sequestro, a invasão domiciliária e a breve prisão do camarada E não são, de forma alguma, excepcionais no longo historial de censura e ataques do regime grego contra agitadores e activistas anti-sionistas desde 7 de Outubro — frequentemente utilizando métodos repressivos testados e há muito empregados contra populações migrantes, refugiadas e ciganas na Grécia. Este é apenas um caso, parte de uma campanha de repressão mais ampla dirigida contra formações progressistas na Grécia e no coração do Império — que se intensificou nos últimos meses e agora está a chegar a um precipício com o início da guerra não-provocada contra a República Islâmica do Irão, em 28 de Fevereiro. A Grécia não deve ser vista como um espectador neutro nesta guerra, dada a sua cumplicidade quase total com o imperialismo liderado pelos EUA no Mediterrâneo Oriental e a perpetuação da cumplicidade sionista.
Nesta mais recente guerra imperialista contra o Irão, a Grécia funciona como um bastião fronteiriço crucial da Fortaleza Europa e acolhe o quartel-general das operações estratégicas na Base de Souda, em Creta. De igual modo, as tropas gregas estão envolvidas em acções “defensivas” contra a resistência, operando sistemas de mísseis PATRIOT na Arábia Saudita, participaram no ataque da NATO ao Iémen (Operação Prosperity Guardian) e mobilizaram forças como parte da armada colonial da UE actualmente estacionada ao largo do Chipre.
Na nossa análise, é apenas uma questão de tempo até que a Grécia, como parte da NATO, possa iniciar operações ofensivas directas contra o Eixo da Resistência nesta guerra de cruzada imperialista. Nas maiores crises, as rivalidades temporárias são postas de lado e as entidades imperialistas e supremacistas brancas unem-se. Por detrás das linhas inimigas, a escalada da presente guerra contra-revolucionária na Ásia Ocidental reflectir-se-á numa repressão interna cada vez mais violenta e sistemática — particularmente contra formações anti-imperialistas que defendem a solidariedade internacionalista com a República Islâmica e o Eixo da Resistência. Neste cenário, serão intentadas acusações de «traição» contra formações progressistas na Grécia e realizar-se-ão detenções em massa.
Torna-se cada vez mais claro que nos encontramos numa calma relativa antes de uma tempestade de repressão que se intensificará cada vez mais. A força reside, então, no nosso número, e o nosso sucesso depende de nos unirmos como um bastião popular, e da nossa capacidade material para nos mobilizarmos.
Mantenhamo-nos firmes na nossa luta, consolidemos as nossas fileiras, identifiquemos os nossos pontos fracos e permaneçamos fiéis aos nossos princípios no apoio ao Eixo da Resistência — esses defensores livres e corajosos da nossa humanidade, a bússola que nos guia rumo à vitória — contra a principal contradição do mundo: o imperialismo liderado pelos EUA.
Vitória à República Islâmica e ao Eixo da Resistência!
Glória aos Mártires!
Morte à Amerikkka e à entidade sionista!

