França // Agricultores bloqueiam a famosa Tour de France em protesto

Tour de France cyclist riding a bike with tires made of circular hales of bay.

A Tour de France tem sido marcada por protestos desde os anos 70 e este ano não foi excepção. No passado dia 24 de Julho, os agricultores da região de Piege surpreenderam a organização deste evento de interesses privados lançando fardos de palha para a estrada durante a etapa 16 onde decorria a corrida.

Acusados de provocarem o caos e de estragarem tão grande e nobre evento, estes agricultores ergueram cartazes em defesa da região Piege e “para que possa continuar a existir” – era a mensagem que aparecia nalguns dos cartazes. A ideia do protesto era pressionar o Governo a agir sobre os problemas que afectam as áreas rurais mais desfavorecidas. Contactado há seis meses, o Ministro da Agricultura optou por se manter em silêncio desde então e ignorar as dificuldades apontadas pelos agricultores.

O medo que o mega evento fosse prejudicado pela desobediência civil de insurgentes levou a Tour de France a gastar dinheiro em publicidade alertando os agricultores dos riscos que corriam se insistissem em interromper a ordem de trabalhos da tão mediática volta à França. Circularam imagens a avisar que qualquer comportamento voluntário que pusesse em risco a “segurança” dos ciclistas seria condenado com multa e prisão até 3 anos; no que parece ser uma clara ameaça ou uma fraca tentativa de dissuadir quem ainda quer contestar e pôr em causa os poderes económicos e institucionais existentes.

The Tour de France image threatning 3 years in prison.
A imagem publicada pela organização da Tour de France, a ameaçar 3 anos de prisão.

Os agricultores conseguiram atrasar o início da corrida, mas foram fortemente agredidos pelas forças de intervenção policial, que responderam ao seu protesto pacífico com detenções e gás pimenta pulverizado directamente nos olhos dos agricultores. Um ataque policial exagerado que acabou a atingir os próprios ciclistas.

As autoridades tudo fizeram para expulsar os agricultores e a comunicação social ajudou abafando o protesto. A organização da volta publicou vídeos com imagens da paragem da corrida, mas sem explicar o porquê e sem dar qualquer tipo de visibilidade à mensagem pacífica que os agricultores tentavam passar através do bloqueio com os fardos de palha.

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