Portugal // Impedida tentativa de pinkwashing na 13ª Marcha do Orgulho do Porto

Variations bus being expelled by crowd.

No dia de 7 de Julho de 2018, a associação Variações, dedicada ao comércio e turismo LGBT, tentou participar na Marcha do Orgulho com um autocarro próprio, à revelia da organização e do regulamento da Marcha. Foi então que um perigoso grupo da extrema-radical impediu a participação e correu com a Variações e o seu autocarro idiota.

 

A resposta da organização da Marcha

A organização emitiu um comunicado no Facebook onde toca na questão:

“No que diz respeito ao breve episódio com o autocarro turístico que se fez representar na Praça da República perto da hora de início da manifestação, e que suscitou algumas interpretações imprecisas e apressadas por parte de órgãos de comunicação social, informamos que a organização da Marcha teve previamente conhecimento da sua possível presença. De facto, a Variações – Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal enviou, na semana que antecedeu a 13º Marcha, um email a informar a organização da Marcha que se faria representar através de um autocarro (…). Por unanimidade, as/os representantes das associações, coletivos e organizações políticas que compõem a organização e promoção da 13º Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto, votaram a impossibilidade de circulação desse veículo pelas razões que passamos a citar:

1º) A organização já tinha definido previamente os veículos de som que iriam circular na Marcha, veículos esses sem propaganda comercial e cedidos por ativistas;

2º) A organização da Marcha, respeitando os seus princípios e a história do movimento LGBT+ em Portugal, entende que as associações devem-se fazer representar em pé de igualdade e não mediante o poder financeiro para exibir as suas bandeiras.

A informação sobre a impossibilidade de circulação do autocarro turístico na 13º Marcha FOI COMUNICADA em tempo útil à Variações e seu representante, contudo, a organização teve o cuidado de endossar e reforçar o convite à participação da Variações e demais parceiros/as na Marcha, sugerindo que utilizassem os materiais usados pela maioria das pessoas presentes na Marcha (faixas, pancartas, cartazes, palavras de ordem). No entanto, a associação Variações e o seu representante não consideraram o processo de decisão coletivo da Marcha, e quiseram assegurar a presença do autocarro turístico.

Acresce ainda um episódio mais GRAVOSO a toda esta situação. A organização da Marcha constatou que a associação comercial Variações e suas parcerias, antes de enviarem o primeiro email a informar a presença do autocarro à organização da Marcha, já tinham contactado a PSP e a Câmara Municipal do Porto no sentido de comunicarem a presença do autocarro. Assim, sobrepuseram-se a todo e qualquer processo coletivo dos/as responsáveis pela dinamização da Marcha do Orgulho e NÃO INFORMARAM a organização sobre a comunicação prévia à CMP e PSP. Aliás, este ato de desrespeito, traiçoeiro e fraudulento para com a organização de uma iniciativa que conta com treze anos de luta, ativismo e dedicação à representatividade dos Direitos e Pessoas LGBT+, tentou pôr em causa a própria relação desta com as entidades competentes (PSP e Câmara Municipal do Porto).”

 

As intenções do grupo de bloqueio

Quanto ao grupo que executou a acção de bloqueio, foi emitido um apanhado dos acontecimentos e um curto manifesto, partilhado no Indymedia, que aqui reproduzimos parcialmente:

“MANIFESTO CAPITALISMO, ANDOR! NÃO PASSARÃO!
Orgulho LGBTI+ combativo

A revolta de Stonewall (EUA, 28 de Junho de 1969) marcou o início da luta organizada das dissidências de género, sexuais, afectivas e relacionais contra o sistema autoritário, cisheteropatriarcal e capitalista. Saímos hoje às ruas para reivindicar um orgulho combativo, que jamais será mercantilizado e mercantilizável!

Queremos as empresas FORA das nossas lutas políticas: não são nossas aliadas, são nossas opressoras. Dizemos NÃO à apropriação capitalista da(s) resistência(s) LGBTQIA+, que se faz através da infiltração nas nossas ocupações do espaço público, de patrocínios e mecenatos, da gentrificação das nossas comunidades/bairros/espaços lúdico-festivos. Dizemos FORA àqueles que nos convertem em nichos de mercado para fomentar o consumismo gaypitalista. Não somos um negócio, não somos uma fonte de receita!

Este ano, a Marcha do Orgulho LGBT+ do Porto (MOP) está a ser alvo de um golpe capitalista por parte da VARIAÇÕES, um aglomerado comercial que quer usurpar a nossa luta política e convertê-la num desfile publicitário para promover a sua própria imagem e maximizar o seu lucro (capitalismo rosa). (…)

Os nossos direitos não são um negócio!”

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