Curdistão // Campanha “Tornar Rojava Verde Outra Vez” quer plantar 100.000 árvores

Green plant bud growing among dried leaves.

Cinco anos depois da revolução de Rojava, por entre a opressão do governo sírio, do ISIS e do governo turco, o movimento de libertação curdo fala de revolução ecológica. A par da defesa da libertação da mulher e de uma nova forma de pensar a democracia, a revolução de Rojava defende a ecologia como pilar essencial para uma mudança que se quer radical, contra o actual colonialismo económico que leva a que se reduza o ambiente a um recurso a ser explorado consoante as necessidades do capital.

A região ocidental do Curdistão tem sido a que mais sofre às mãos do governo sírio, o qual insiste na ideia de que a economia depende da máxima exploração de recursos naturais, a par da produção agrícola industrial e em total desprezo pela sustentabilidade ambiental. Este modelo económico trouxe consigo a desflorestação à custa da produção massiva de trigo na zona de Cizire, de oliveiras na zona de Afrin e uma mistura dos dois na zona de Kobane. A imposição económica destas monoculturas não só alterou de forma drástica a paisagem de Rojava, como resultou na defesa de políticas irracionais de proibição de plantação de árvores e vegetais, obrigando as populações locais a migrar e a tornarem-se mão-de-obra barata para a indústria em cidades como Aleppo, Raqqa ou Homs.

A par da monocultura, a produção energética industrial, a utilização desmesurada de combustíveis fósseis, a má gestão dos resíduos e o uso abusivo de produtos químicos provocaram a destruição dos solos e a contaminação da água e do ar. Políticas destrutivas defendidas pelo partido Baathista e a que se juntam as tentativas do governo turco de dizimar a população curda, entre ofensivas militares, construção de barragens que prejudicam o nível das águas dos lençóis freáticos nos territórios ocupados do norte do Curdistão e utilização abusiva das águas subterrâneas para exploração agrícola na Turquia; tudo serve de pretexto para afectar a existência das populações locais, dificultar o acesso à água e demover qualquer vontade de construir alternativas sustentáveis.

Por tudo isto e entre políticas económicas destrutivas e guerras contra o ISIS, o projecto ecológico do movimento curdo avança, mas com muitas dificuldades. Um pouco por todos os comités regionais que compõe o confederalismo democrático curdo, há projectos de reflorestação e de construção de infraestruturas ecológicas de gestão de resíduos em curso, mas a falta de recursos dificulta o avanço eficaz destas iniciativas. A revolução ecológica está ainda na sua etapa inicial e são muitas as carências, entre a falta de consciência ecológica apontada pelo próprio movimento curdo dentro das populações locais, a falta de conhecimento especializado e tecnologia.

Face à urgência ecológica com que lidam diariamente, a Comuna Internacionalista de Rojava lançou a campanha “Tornar Rojava Verde Outra Vez”, numa tentativa de apelar à consciência ecológica local e conseguir apoio internacional.

Esta campanha assenta, por agora, em três pontos base: criar uma Academia Internacional que contribua para o desenvolvimento do conhecimento e consciência ecológica necessárias para a construção de uma sociedade ecológica; unir esforços para a criação de uma cooperativa dentro da Academia Internacional focada na reflorestação; e proporcionar a troca de conhecimento entre ativistas, cientistas e especialistas dentro dos comités e das estruturas de Rojava. Para já, contam com dois planos concretos de reflorestação: plantar cinquenta e duas mil árvores durante 2018 e planear plantar mais cinquenta mil durante os cinco anos seguintes na reserva natural de Hayaka, perto da cidade de Derik no cantão de Cizire.

O resumo desta campanha “Tornar Rojava Verde Outra Vez” está disponível em várias línguas e pretende ser um ponto de partida para uma revolução ecológica que se quer internacional.

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