Algumas dicas para tornar a Internet menos intragável

Pixelated image of Mark Zuckerberg's eyes.

A Internet está uma merda. Os nossos computadores e telemóveis viraram bufos permanentes de todas as nossas interações e deslocações. É-nos dito que tal é essencial para nos poderem mostrar produtos e serviços do nosso interesse. Mas seja lá o que for que o algoritmo anda a fazer com as minhas conversas pessoais, não parece estar a funcionar. O Facebook está-me sempre a mostrar anúncios a espectáculos do Rui Sinel de Cordes e a sugerir que siga a página do PNR.

Ao mesmo tempo, com as novas leis de “privacidade” retardadas da UE, a usabilidade e design da Internet regrediu duas décadas. Voltámos ao tempo de ter de fechar duas dúzias de janelas, barras laterais e notificações antes de conseguirmos chegar ao conteúdo dos sites. Se a UE estivesse genuinamente preocupada com a nossa privacidade, teria simplesmente proibido a colecta de dados por entidades privadas.

Mas como todos e todas sabemos, a UE é uma monstruosidade neoliberal. Naturalmente, a sua solução para o problema da falta de privacidade é forçar os sites a apresentar-nos um contrato em que nos é cuidadosamente explicado de que forma a nossa privacidade vai ser invadida. Se depois aceitarmos, problema nosso. Usaram a vossa auto-determinação enquanto agentes livres no mercado livre – agora ferrem-se. Algures em Bruxelas, um escritório de advogados recebeu uma comissão choruda e um burocrata justificou a sua existência. Final feliz.

Mas disperso-me.

Se, como eu, ficam irascíveis sempre que um anúncio se intromete nas pesquisas por memes comunistas nas redes sociais, eis algumas ferramentas para tornar a Internet menos intragável.

 

As ferramentas

Instalem um navegador que permita a utilização de extensões (add-ons no original em inglês), como o Firefox. Nas opções, abram a janela de extensões. Procurem e instalem os seguintes:

uBlock Origin – O essencial. Bloqueia anúncios, inclusive os do Youtube e motores de busca. Adicionalmente, bloqueia também serviços de marketing que nos seguem de site em site. Para além disso, possui uma funcionalidade maravilhosa: com um clique do botão direito do rato, mostra-nos a opção de bloquear elementos das páginas, tais como aquelas barras e pop-ups do GDPR que tapam ou obscurecem metade do ecrã e estão sempre a reaparecer. Tenham cuidado ao usar esta última porque podem acidentalmente bloquear alguma coisa importante. Se tal acontecer, basta ir às opções da extensão e apagar o filtro correspondente.

uBlock function blocking privacy notification.
A função de bloqueio de elementos do uBlock Origin em acção.

 

Social Fixer – Permite desligar secções do Facebook, reduzindo o barulho visual.

NoScript – Uma ferramenta mais avançada, esta extensão impede a execução de qualquer tipo de código complexo até que seja dada a autorização explícita do utilizador. Um bocadinho de seca de usar ao início. Há sites como o Youtube que deixam simplesmente de funcionar como deviam até adicionarmos as permissões correctas. Mas tal é o preço da paranóia. Por outro lado, a dificuldade dos serviços de publicidade e marketing em aceder aos nossos dados aumenta, com o bónus de que a navegação também fica mais segura contra ataques maliciosos.

Um efeito secundário da utilização desta extensão é que passamos a estar activamente despertos para a quantidade absolutamente incrível de servidores a que nos ligamos quando pensamos que estamos apenas a visitar um site isolado. De facto, muitas vezes há dezenas de serviços a funcionar nos bastidores. Que ruindade fazem, sabe-se lá. A maioria é completamente desnecessária ao normal funcionamento dos sites.

Screenshot of the New Yorker's hidden services.
Uma visita ao The New Yorker revela 15 serviços a funcionar nos bastidores. Vários têm um propósito técnico, muitos apenas estão lá para recolher dados sobre os utilizadores para empresas de marketing e propaganda.

 

Proxies – Tão retardada é a legislação GDPR da UE que alguns sites de notícias do resto do mundo começaram a bloquear activamente os utilizadores europeus para evitar chatices.

Screenshot of LA Times regional block for European users.
“Infelizmente, de momento o nosso website não está disponível na maioria dos países europeus. Estamos a lidar com a questão e comprometidos com identificar opções que suportem o nosso leque de ofertas digitais no mercado europeu. Continuaremos a identificar soluções de conformidade técnica que providenciem aos nossos leitores o nosso jornalismo vencedor de prémios.”

 

A volta a dar é utilizar uma proxy, um serviço que vai buscar os dados desejados a partir de outro ponto do mundo para que estes nos sejam depois entregues. Dessa forma os bloqueios regionais são contornados. Existem muitas opções, mas a maioria das gratuitas são muito limitadas, não prestam ou são esquemas para ficar com os dados dos utilizadores. No entanto, se queremos saltar um simples bloqueio regional, qualquer um dos milhentos sites de proxies existentes fazem um trabalho competente.

Screenshot of the LA Times being accessed via proxy.
O mesmo LA Times, acedido via proxy.

 

Feito

Apreciem a vossa nova Internet, com menos publicidade, coscuvilhice e termos de utilização. Não é a expropriação do Google e Facebook e a sua transformação num bem comum ao serviço da humanidade, mas é melhor do que ter de ver a tromba do Rui Sinel de Cordes sempre que se abre o Facebook.

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