Brasil // Escalada de violência fascista

PSL candidate Bolsonaro with a drawing of the damned by Reubens coming out of his mouth.

 

O Brasil tem vivido um crescimento exponencial de violência fascista provocada por indivíduos e grupos de apoiantes de Jair Bolsonaro. O candidato de extrema-direita venceu a primeira volta das eleições presidenciais com quase 50% dos votos.

Os relatos de insultos, agressões, tentativas de assassinato ou violação têm-se multiplicado desde o passado domingo. O caso mais grave aconteceu em Salvador da Bahia. Romualdo Rosário da Costa, conhecido mestre de capoeira, foi morto depois de revelar ter votado em Haddad.

O homem de 63 anos, conhecido como “Moa do Katendê”, estava num bar em Salvador quando um homem começou a gritar pelo nome de Jair Bolsonaro. Esta situação motivou uma discussão política. Quando Moa revelou que tinha votado em Haddad, o apoiante de Bolsonaro esfaqueou-o 12 vezes.

 

Caça à esquerda

Apoiantes de Bolsonaro abriram uma verdadeira caça ao militante de esquerda. Vários militantes, familiares ou até pessoas simplesmente vestidas de vermelho têm vindo a ser alvo de insultos, ameaças e agressões.

  • “A irmã da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro, relatou na sua página de Facebook na passada segunda-feira 8, ter recebido ameaças enquanto andava na rua com sua filha de dois anos ao colo. Não ostentava qualquer roupa ligada a um político, partido ou bandeira.”
  • Em São Paulo, uma funcionária da campanha do candidato do PSOL à Presidência da República, Guilherme Boulos, foi ameaçada com arma uma fogo por um simpatizante de Jair Bolsonaro.
  • Um jovem foi espancado em plena noite eleitoral por simpatizantes do candidato do PSL por usar uma t-shirt vermelha. Várias pessoas começaram a agredir o jovem enquanto gritavam palavras de ordem. No vídeo do incidente é possível ouvir alguns a gritar “é comunista”, como justificação para as agressões.
  • “Lucia Pedroso Nogueira, presidente do Sindaen (Sindicato dos Trabalhadores nas empresas de água, esgoto e saneamento de Maringá e região noroeste do Paraná), recebeu quatro pontos no dedo indicador e um no dedo mindinho” como consequência de uma agressão em pleno acto de campanha do PT.
  • Jovem militante, de seu nome Calil, sofreu cortes na cabeça e nas pernas, e torceu o pé quando foi atropelado por um apoiante de Bolsonaro, na noite de domingo, em Curitiba. Também relata que, quando foi apresentar a queixa à polícia, todos os computadores da esquadra ostentavam adesivos do candidato do PSL.
  • Um estudante da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi espancado por um grupo de extrema direita por usar boné do MST. O estudante sofreu várias lesões na cabeça causadas por inúmeras garrafas de vidro quebradas pelos agressores.
  • Uma activista LGBT foi agredida e humilhada no meio da rua por um grupo de 3 homens, ao verem a bandeira LGBT e o sinal #EleNão na sua mochila. Como se não bastasse, dois dos homens seguraram-lhe os braços enquanto o terceiro cravava uma suástica na zona lombar com um canivete. “O delegado titular da 1ª Esquadra de Porto Alegre, Paulo Jardim, diz que os suspeitos de cometer agressão ainda não foram identificados e o desenho não é um símbolo extremista.”
  • “Dois bolsonaristas agridem jornalista e ameaçam violá-la. Mulher foi salva por um carro que passava na rua e assustou os agressores. Depois de ter votado, a mulher dirigiu-se ao carro, que estava estacionado na via. Dois homens que seguravam um pedaço de ferro abordaram-na na rua. “Tinham um ferro, tipo um canivete. Viram meu crachá e disseram que eu era ‘riquinha’ e ‘de esquerda’ e também ameaçaram uma violação”, conta. Relatou que a cortaram no braço e no queixo.”
  • Apoiantes de Bolsonaro agridem jovem transexual em Belo Horizonte. Tudo aconteceu quando Guilderth Andrade, mais conhecido como Guil, se recusou a aceitar um autocolante da campanha do PSL, que passava perto da paragem de autocarro onde ele se encontrava – “Eu disse: ‘Não quero votar nele, você tem que ter respeito’, e tirei o autocolante.” De repente, sentiu uma palmada nas costas. O rapaz havia colado outro autocolante. “Eu arranquei-o novamente.” O homem deu então uma rasteira na jovem. “Eu caí, a bota dele cortou-me no tornozelo. Se eu tentasse levantar-me, ele ia continuar a agredir-me”, afirmou Guil.
  • “Em Manaus, no Amazonas, Elói Capucho foi agredido e ameaçado de morte por um simpatizante de Jair Bolsonaro por ser gay e contra a eleição do candidato do PSL.”

Segundo um levantamento do site Apublica, nos últimos dias os apoiantes de Bolsonaro realizaram cerca de 50 ataques em cerca de 18 estados – 6 dos quais a militantes do PSOL.

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