17.500 refugiados morreram na travessia do Mediterrâneo desde 2014

refugee dead in Mediterranean
Imagem: Omran Daqneesh

 

Cerca de dois mil migrantes morreram no Mediterrâneo desde o início deste ano. Estes são dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revelados esta terça-feira. Durante os últimos anos, a travessia do Mediterrâneo tornou-se a rota marítima de refugiados e migrantes mais mortífera do mundo.

Metade das mortes foram registadas na zona central do Mediterrâneo – entre a costa do norte de África e Itália. Ainda ontem, as autoridades espanholas adiantaram que 17 migrantes morreram esta segunda-feira ao tentar desembarcar. Há ainda 20 pessoas desaparecidas.

Este é o 5º ano consecutivo em que as mortes de refugiados ultrapassa os 2.000. Perto de 17.500 refugiados morreram ao tentar atravessar o mar Mediterrâneo desde 2014.

Várias ONG´s têm vindo a suspender as operações de resgate devido a restrições de ordem logística e legal provenientes de governos Europeus que tomam medidas cada vez mais racistas. Os refugiados são demonizados, num claro aproveitamento populista desta tragédia humana. Isto fez com que o número e missões de busca e salvamento de náufragos diminuísse significativamente.

Apesar de haver uma diminuição do número de mortes e de chegadas – em 2017 perderam a vida nesta travessia cerca de 3.081 pessoas – tal não quer dizer que a situação tenha melhorado. A diminuição do fluxo migratório na Grécia e nos Balcãs é causa directa do acordo estabelecido entre a UE e a Turquia para deter o fluir de refugiados, o que sobrecarregou brutalmente a rota Líbia-Itália.

 

Líbia – Um inferno para os refugiados

Alguns refugiados chegam com números tatuados na pele, como escravos. São marcas da Líbia dos dias de hoje, um país que se tornou um inferno para quem quer embarcar “ilegalmente” desde as suas costas em direcção à Itália. Quando são apanhados no mar, os imigrantes relatam todo o tipo de torturas e abuso por parte dos donos das barcaças que, em teoria, os levarão para a Europa. São sequestrados, detidos e vendidos nas praças públicas da Líbia como escravos. 90% das mulheres que passaram pelo país do norte da África relatam ter sido violadas. A Líbia tornou-se, desde a intervenção de David Cameron / Nicolas Sarkozy e a queda de Gaddafi, um terreno fértil para as máfias actuarem com total impunidade.

Os traficantes, aproveitando-se da miséria humana, chegam a cobrar mais de 6.000 euros por cabeça para atravessarem o mar Mediterrâneo, sem o mínimo de garantias de segurança. Quem não tem dinheiro é vendido, escravizado e/ou usado até que o seu corpo não resista mais, segundo relatos da Organização Internacional para as Migrações.

Com o intuito de rentabilizar ao máximo a sua actividade, as máfias utilizam barcas com pior qualidade e transportam cada vez mais pessoas por viagem. Segundo a Agência Europeia de Controlo de Fronteiras, os traficantes levam uma média de 120 a 130 pessoas em barcos de borracha de 10 metros.

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