Espanha // Polícia reprime violentamente trabalhadores da Amazon em greve

Injured Amazon worker on the ground, two policemen standing next to him.
Foto via @CCOOMadrid

Como relatado pelo Kaos en la Red e ElDiario.es e segundo os sindicatos envolvidos na greve, as cargas policiais contra os trabalhadores da Amazon produziram-se durante a manhã da passada terça-feira. Houve pelo menos dois detidos, um deles ferido no rosto, resultado de bastonadas dos agentes das Unidades de Intervenção da Polícia (UIP).

De acordo com Douglas Harper, delegado sindical CCOO presente no  armazém da Amazon, as cargas começaram quando “uma jovem menor de idade, que estava na concentração com os trabalhadores, saiu do passeio”.

Quando a jovem saiu do passeio em direcção à estrada “foi empurrada por um agente”. Então, continua Harper, “vários colegas colocaram-se à sua frente e reprovaram a atitude da polícia”.

Foi então quando os agentes começaram a carregar sobre os trabalhadores e as detenções aconteceram. Um dos detidos, explica o delegado da CCOO, recebeu “um golpe na cara que lhe partiu vários dentes”.

Os dois detidos foram acusados do delito de atentado contra a autoridade.

 

Razões da greve

Injured Amazon worker's bloodied shirt.

De acordo com a CGT (anarco-sindicalista), sindicato maioritário no centro logístico do comércio electrónico multinacional localizado em San Fernando de Henares (Madrid), a greve de três dias, que coincide parcialmente com o “Prime Day” – uma campanha de descontos da Amazon que dura 36 horas –, segue-se à falta de acordo nas negociações recentes, em que a administração “avançou em questões laterais” mas não atendeu às principais reivindicações dos trabalhadores, relativas a aumentos salariais, categorias profissionais, complementos salariais em períodos de baixa e um acordo de empresa próprio.

 

80% de adesão à greve

Group of striking workers posing together at a picket.
Trabalhadores no piquete de greve junto ao armazém da Amazon. Foto via @AmazonEnLucha

A adesão à greve situava-se entre os 70% e os 80% dos 1.100 trabalhadores efectivos, segundo revelou Marc Blanes, delegado da Confederação Geral do Trabalho (CGT), ao El Salto.

Acrescentou que os números não eram tão elevados entre os 900 trabalhadores temporários, em virtude das represálias que os precários sofreram após a greve realizada em Março, que teve uma adesão massiva. Na sequência, o gigante do retalho electrónico não renovou os contratos a mais de cem trabalhadores, subcontratados à Adecco e à Manpower.

Esta segunda jornada de luta no centro logístico madrileno da Amazon foi apoiada por outros centros de trabalho da empresa na Europa. Um sindicato alemão convocou também uma greve de 24h na passada segunda-feira, coincidindo assim com o Prime Day. Também na Polónia foram convocadas mobilizações. Devido às suas lei laborais mais repressivas, os trabalhadores vão estar nos seus postos de trabalho, mas apenas farão o mínimo necessário para não serem despedidos.

 

Fundador da Amazon – O homem mais rico do mundo

Amazon workers showing police baton marks.
Não se chega a homem mais rico do mundo sem umas bastonadas em trabalhadores. Foto via @AmazonEnLucha

O índice Bloomberg Billionaires actualizou a lista das pessoas mais ricas do planeta e colocou o fundador da Amazon, Jeff Bezos, em primeiro lugar. A partir desta segunda-feira os mais de 150.000 milhões de dólares acumulados por Bezos fazem dele o homem mais rico da história moderna. Fortuna esta conseguida à custa de baixos salários e condições laborais precárias.

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