2018 foi o ano das limitações

O lançamento do site em 2018 trouxe consigo toda uma série de difíceis aprendizagens e colocaram em relevo as nossas limitações enquanto colectivo que preza a sua independência acima de tudo o resto. 2019 será um ano de tentar ultrapassar essas limitações.

A estreia do site

O método que adoptámos para rever e traduzir artigos para o site, de modo a garantir a sua qualidade, quadruplicou a quantidade de trabalho que temos. É também um processo distribuído e apoiado em tutoria interna de modo a disseminar conhecimentos e evitar que o colectivo fique dependente de figuras técnicas especializadas, o que também nos custa tempo numa primeira fase mas irá poupá-lo a longo prazo.

Ainda assim, publicámos 47 artigos desde Maio de 2018, quando o site abriu. Com uma excepção que será rectificada, todos eles foram traduzidos para inglês. A luta dos estivadores, a luta feminista e o combate à exploração de gás e petróleo em Portugal foram de particular interesse para os leitores em inglês.

Em português, os nossos artigos de investigação própria – sobre os abutres de dívida como a Whitestar e a universidade modelo do neoliberalismo NOVA SBE – foram alguns dos mais procurados, o que nos dá uma grande satisfação.

Os nossos vídeos com maior intensidade de produção também tiveram uma boa performance nas redes sociais, especialmente tendo em conta as severas restrições de alcance que existem de momento.

O preço da independência

Porque é que estes encargos de trabalho adicional são tão onerosos? Porque a Guilhotina nunca recebeu meio tostão furado de fundações de bilionários, de prémios de jornalismo e activismo patrocinados por super-Estados ou de incentivos ao empreendedorismo da parte de mega-corporações. Tudo o que fazemos é fruto do nosso trabalho e desejo em ver retratada a realidade tal como ela é. A Guilhotina é construída por entre as frestas de lidar com situações de trabalho precário, imigração, cuidar de família, enfim, de sobreviver como o comum dos mortais nesta fase da história.

Tendo acumulado um saber-fazer decente nestes últimos anos, será porventura a altura de expandir a Guilhotina em 2019, de modo a podermos abrir mais frentes com novas e novos contribuidores e parcerias. Ao mesmo tempo, há que implementar estratégias para conseguir dar algum tipo de estabilidade financeira ao projecto, que não passem por vender a alma ao diabo. Se não contamos com o financiamento do capital, teremos de construir uma superior organização do trabalho.

O estrangulamento das redes sociais

Um dos nossos primeiros artigo no site foi precisamente sobre a forma como as principais redes sociais e motores de busca estão cada vez mais censurados. Tal situação só se agravou em 2018. Não iremos aqui repetir todas as informações que anteriormente publicámos, mas é claro que são particularmente visados jornalistas e colectivos com uma visão anti-imperialista e nós não fomos excepção.

No Facebook em particular, o crescimento foi anémico em 2018, para lá de qualquer coisa que tenhamos visto antes. Estagnou durante meses inteiros, apenas dando saltos de crescimento de algumas poucas centenas de novos seguidores quando uma publicação se torna viral e chega a dezenas ou centenas de milhares de pessoas. O crescimento estável do passado desapareceu. Publicações sobre acções imperialistas de propaganda ou militares desaparecem sem aviso. Globalmente, jornalistas e colectivos são purgados sem justificação ou desaparece a opção de os seguir.

Enquanto isso, as fontes de informação que se alinham com o imperialismo ou, mais à esquerda, adoptam uma posição social-imperialista (defensores da social-democracia para o primeiro mundo à custa de imperialismo no terceiro), ganham em força e destaque através da purga dos seus críticos.

É uma autêntica parada de tolos e cínicos que acusam toda a gente que não bate palmas a cada nova “intervenção humanitária” dos EUA de serem teoristas da conspiração e no fôlego seguinte berram sobre vastas conspirações em que Trump é controlado por Putin via técnicas soviéticas de controlo mental. São os mesmos que acusam anti-imperialistas de serem defensores de ditadores porque não repetem todas as mentiras criadas para justificar guerras de agressão mas depois choram baba e ranho pelos refugiados e vítimas que essas mesmas guerras criam sem nunca fazer a ligação entre as duas coisas.

Será portanto também um objectivo para 2019 encontrar vias alternativas de chegar ao público que consigam passar ao lado da censura dos gigantes da Internet, cada vez mais confortavelmente aninhados no colo do complexo militar-industrial.

Um agradecimento

Gostávamos também de enviar um abraço a todas e todos quanto nos lêem desse lado. O vosso apoio é-nos sempre caro e apreciamos todas as mensagens de encorajamento ou crítica construtiva. A vossa força será cada vez mais necessária para construir um meio de comunicação que apenas responde à verdade e seja a voz de um novo mundo que trazemos dentro de nós.

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