Estado Espanhol // Revolta popular contra a prisão de Pablo Hasél~ 22 min

Manifestação em Barcelona, 16 de Fevereiro de 2021

Logo na noite de terça-feira, dezenas de milhar de pessoas saíram às ruas de setenta cidades e vilas catalãs para exigir a liberdade de Pablo Hasél. Fizeram-no menos de 12 horas depois do rapper catalão ter sido preso pela polícia na Universidade de Lleida, onde resistia ao encarceramento juntamente com dezenas de pessoas solidárias. Foi preso para cumprir uma pena de 9 meses por tweets publicados entre 2014 e 2016 e pelo conteúdo de uma das suas músicas. Por, em suma, ter feito uso da sua liberdade de expressão. Para mais contexto e enquadramento legal dos seus “crimes” ver o nosso artigo “Liberdade para Pablo Hasél”.

Várias manifestações foram recebidas com cargas policiais e detenções, o que agravou a raiva já sentida pelas práticas repressivas do Estado Espanhol, que reprime, processa e aprisiona quem a ele faz frente. Foram erguidas barricadas para travar as cargas policiais e, em algumas cidades, atacadas agências bancárias e esquadras da polícia.

Na quarta-feira, aconteceram protestos em Madrid, Granada, Alicante, Burgos, Zaragoza e em várias cidades e vilas galegas. Também houve novamente protestos nas cidades catalãs de Barcelona, Girona e Lleida. Mais cargas, feridos e detenções.

Na quinta-feira, houve mobilizações para exigir a libertação dos detidos nos dias anteriores em Lleida e Vic e novos protestos em Barcelona, Valencia e Tarragona. Em Tarragona, um carro da polícia atropelou um manifestante, de forma gratuita e injustificável, como se pode ver no vídeo em baixo. Uma das cenas mais grotescas de toda a violência policial dos últimos dias.

Polícia faz dezenas de feridos e mais de 80 detidos

Segundo os serviços de emergência da Generalitat, nos protestos na Catalunha na noite de terça-feira, pelo menos 33 pessoas ficaram feridas:

– 11 pessoas em Barcelona (das quais 4 foram hospitalizadas)
– 15 em Vic
– 5 em Lleida (3 hospitalizadas)
– uma hospitalizada em Reus
– uma hospitalizada em Girona

Em Barcelona, uma manifestante de 19 anos foi atingida na cara por uma bala de borracha e perdeu o olho

Foto de Angel Garcia para o El País

A polícia efectuou ainda pelo menos 14 detenções (8 em Lleida, 4 em Vic e 2 em Barcelona) e identificou várias pessoas em Valencia, Palma, Manacor e Maó. Houve cargas policiais em Barcelona, Girona, Lleida, Reus, Valencia e Vic. [Fonte]

Na quarta-feira, pelo menos 19 pessoas foram detidas nos protestos em Madrid, dezenas ficaram feridas e três tiveram que ser hospitalizadas. Em Granada, 4 pessoas foram detidas. Na segunda noite de confrontos nas ruas de Barcelona, mais 39 pessoas foram detidas.

No 3º dia de protestos, quinta-feira, pelo menos 8 pessoas foram detidas em Valencia e 6 em Barcelona.

16 de Fevereiro – Catalunha

Clima da manifestação em Barcelona antes das primeiras cargas.

Na terça-feira, em Barcelona, mais de 10 mil pessoas saíram à rua. Depois das primeiras cargas, os manifestantes ergueram barricadas em várias ruas e confrontaram a polícia.  Pelo menos duas agência bancárias foram atacadas, tendo uma delas sido incendiada.

Em Lleida, a manifestação com vários milhares de pessoas decorria pacificamente até ser dividida ao meio por uma intervencão policial. Também foram erguidas barricadas e 3 motas da polícia foram queimadas.

Em Valencia, a polícia também carregou sobre os manifestantes quando estes tentavam iniciar a manifestação. Violência gratuita, como se pode ver nos vídeos abaixo.

Em Girona, a polícia também carregou sobre a manifestação. Foram erguidas barricadas e uma agência bancária foi destruída.

Em Vic, foi a vez de serem os manifestantes a atacar uma esquadra da polícia. Pouco ficou intacto, como se pode ver neste vídeo. Segundo a CatalunyaPress, as autoridades não conseguirem identificar os responsáveis pela destruição da esquadra. 11 agentes ficaram feridos.

Nessa mesma noite, aconteceram protestos em dezenas de outras cidades e vilas catalãs.

17 de Fevereiro

Madrid

Depois do início da concentração na Puerta del Sol, a polícia cortou todos os acessos à praça, impedindo a saída e entrada de pessoas. A manifestação seguia combativa mas, ainda assim, pacífica. Depois das primeiras cargas, geraram-se confrontos e barricadas foram erguidas em ruas circundantes à praça.

Já toda a gente sabe que a polícia, especialmente a espanhola, tem um grande gosto em exercer violência gratuita contra manifestantes (salvo se estes forem de extrema-direita). No próximo vídeo podemos ver um grupo de pessoas encostadas a uma parede, encurraladas, a ser repetidamente agredidas por um grupo de cães de guarda do regime espanhol.

Barcelona

Segunda noite de protestos, cargas e confrontos em Barcelona. Mais feridos e mais detidos. Depois de, no dia anterior, uma manifestante ter perdido um olho por ter sido atingida por uma bala de borracha, nesta noite um colaborador da La Directa também foi atingido por um projéctil.

Galiza

As concentrações na Galiza decorreram sem grandes incidentes. Todavia, depois da manifestação em A Coruña, dois manifestantes foram identificados e multados pela polícia enquanto regressavam a casa.

Zaragoza

Granada

Burgos

Alicante

18 de Fevereiro

Barcelona

Na quinta-feira, pela terceira noite consecutiva, a capital catalã foi palco de confrontos entre a polícia e manifestantes pela libertação de Pablo Hasél. Uma pessoa foi hospitalizada com um traumatismo cranioencefálico.

Valencia

Valencia viu esta quinta-feira algumas das mais violentas cargas dos últimos dias, depois de, já na terça-feira, a polícia ter atacado outra manifestação em solidariedade com Pablo Hasél.

Agressões a pelo menos dois jornalistas, do À Punt e do València Extra, fizeram a União de Jornalistas Valencianos emitir um comunicado a condenar a actuação policial desproporcionada. Classificaram os feitos de “inadmissíveis” e exigiram que a Delegação do Governo da Comunidade Valenciana os investigasse. Assinalaram que está em risco o direito à informação e reiteraram a sua “defesa da liberdade de expressão, que está a ser seriamente ameaçada em Espanha, tal como denunciam organizações em defesa dos direitos humanos”. A Compromís, uma das mais importantes formações políticas valencianas, também denunciou que um dos seus deputados sofrera violência policial, como se pode ver no vídeo por eles partilhado. Nesta noite foram registados vários feridos.

Tarragona

O terceiro dia de protestos em Tarragona foi marcado por um dos eventos mais grotescos até agora. A manifestação decorria pacificamente até que um manifestante foi atropelado por um carro da polícia, como mostra um vídeo que partilhámos no início. Após isso, várias ruas foram cortadas com caixotes do lixo.

19 de Fevereiro – Universidades Catalãs por Amnistia e Independência

Esta sexta-feira, protestos pela libertação de Pablo Hasél voltaram a acontecer na Catalunha pelo quarto dia consecutivo. Esta jornada de protestos foi chamada por sindicatos e movimentos estudantis e teve o lema “Amnistia e Independência – As Universidades pela liberdade”.

Antes da manifestação, algumas dezenas de estudantes entraram na reitoria da Universidade de Barcelona para ler um manifesto em que exigem do reitor uma posição firme a favor da liberdade de expressão e contra a repressão e que defenda a Universidade como “um espaço de pensamento crítico”. Depois, cortaram a Gran Via.

As exigências dos estudantes, em Lleida, eram semelhantes: “a liberdade de expressão e de pensamento crítico” e que “não haja lugar para a repressão e a polícia [nas universidades]”. Nesta concentração foi também lido um manifesto elaborado por trabalhadores da Universidade de Lleida, onde Pablo Hasél foi preso, pedindo à reitoria que se posicione contra a entrada dos Mossos d’Esquadra nas suas instalações. O documento conta com mais de 400 assinaturas de trabalhadores das universidades públicas catalãs.

Em Tarragona, ao final da tarde, os estudantes também saíram à rua. Durante a manifestação foram queimadas fotos do rei, enquanto várias pessoas gritavam “Muerte a los Borbónes!”.

Também esta sexta-feira, dezenas de pessoas voltaram a sair à rua em Valencia, desta vez para exigir a libertação dos e das companheiras detidas nos últimos dias.

Em Vilafranca, uma esquadra dos Mossos foi atacada. Em Girona, Barcelona e outras cidades catalãs, voltaram a acontecer confrontos entre a polícia e os manifestantes. Um deputado da CUP, formação política independentista e anticapitalista, teve de ser levado ao hospital depois de tentar dialogar com a polícia durante uma detenção violenta em Barcelona.

A Catalunha está há quatro dias a ferro e fogo e não parece vir a dar tréguas tão cedo. Este sábado há nova manifestação convocada para Madrid pela absolvição dos e das detidas por se solidarizarem com Pablo Hasél.

E, às vezes, os polícias também choram…

Não nos queriamos despedir sem vos deixar um vídeo para vos alegrar um pouco. Nestes últimos dias, as forças policiais carregaram sobre milhares de pessoas em inúmeras cidades do Estado Espanhol e fizeram perto de uma centena de feridos. Mas, mesmo não sendo comum, às vezes também provam do seu próprio veneno.

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